segunda-feira, 8 de junho de 2009

Prece de um cãozinho

Prometi não falar mais em morte por algum tempo, mas depois da notícia que assisti hoje no Jornal do Almoço, sobre a morte de Alegria, um cachorrinho que vagava pelo Campus da UFRGS e que foi adotado por um professor, ajudando-o nas terapias com crianças, fiquei indignada. Até que ponto vai a monstruosidade de seres que se dizem humanos?
Encontrei no blog Bicharada da Zerohora.com a seguinte prece e com essa mesma imagem, então pensei:

ALEGRIA, esta é minha homenagem para ti, que foi arrancado da tua missão aqui na terra.
Eis a prece:

Trata-me com carinho, pois nenhum coração em todo o mundo será mais agradecido do que o meu.
Não me eduque com pancadas, pois embora eu possa lamber-te as mãos entre dois golpes, a tua paciência e compreensão ensinar-me-ão mais rapidamente as coisas que esperas que eu aprenda.
Fala-me muito, pois a tua voz é a música mais doce do mundo, como demonstram os ardentes sacolejos de minha cauda quando ouço os teus passos.
Quando o tempo estiver frio e chuvoso, conserva-me dentro de casa, pois sou um animal doméstico, sem preparo para as intempéries e minha glória será o privilégio de sentar-me junto aos teus pés.
Conserva a minha vasilha com água fresca e limpa, pois não posso reclamar e dizer o quanto estou com sede.
Dê-me comida limpa e sadia para que eu me sinta bem e possa brincar, cumprir as tuas ordens, passear ao teu lado e estar sempre pronto a proteger-te com minha própria vida, estando a tua em perigo.
E quando eu estiver bem velho e Deus me privar da saúde e da visão, não me vires as costas... Faça-me o bem de deixar que a minha vida de dedicação e fidelidade possa se extinguir suavemente ao teu lado e eu demonstrarei, com meu último alento, que sempre me senti seguro em tuas mãos.
Amém.
(Autor Desconhecido)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Festival Internacional de Balões

Aconteceu em Santa Maria, agora em maio, em celebração aos seus 151 anos, o Festival Internacional de Balões.

Essas fotografias eu tirei do meu celular (por isso a pouca qualidade) quando eles passaram bem junto a minha casa.

A primeira, onde aparecem os dois balões coloridos, eu tirei no pátio dos fundos, e a outra, em dia diferente ao da primeira, eu tirei no meio da rua, quando o balão quase se escondia atrás das casas dos meus vizinhos. Ele passou bem baixo. E posso dizer, foi muito bonito.


Esta outra fotografia, bem profissional, eu copiei do jornal Diário de Santa Maria, para guardar como lembrança do show que foi realizado à noite, com os balões iluminados. Muito lindo mesmo. Um belo espetáculo.

Partindo para assuntos mais leves e melhores


Hoje, olhando ao meu redor, em meu ambiente de trabalho, resolvi partir para assuntos mais leves neste blog, escrever sobre acontecimentos da semana, mostrar meus 7 amiguinhos fiéis, os quais chamo de filhos, e algumas coisas mais que me fazem bem.

Por enquanto quero deixar as tristezas de lado.

Partida definitiva


Há uma semana, mais precisamente no dia 23 de maio de 2009, às 18:45hs, minha mãe faleceu, vítima de um AVC, que progrediu para uma pneumonia, e com uma semana de internação, falência de múltiplos órgãos.

No último ano, foram poucas as vezes em que a vi lúcida, a última vez, já apresentando sinais do mal de Alzheimer, foi em agosto de 2008. Essa foi a última vez que falei pessoalmente com ela.

Resolvi fazer-lhe uma visita na sexta-feira dia 15 de maio. Quando cheguei em seu apartamento ela já não estava mais lá. Fazia quase um mês que havia sofrido o AVC. Foi então que fiquei sabendo que tinha ido para a emergência do Pronto Atendimento Municipal, pois estava apresentando um quadro de pneumonia.

Fui até lá para vê-la. Encontrei-a já em sofrimento cárdiorrespiratório, recebendo oxigênio, soro, medicação para facilitar-lhe a respiração. Voltei à tarde para vê-la mais uma vez.

Ela estava consciente e apresentava um pouco de melhora em seu quadro. Mesmo com o lado esquerdo paralisado, utilizou a mão direita para, debaixo de suas cobertas, procurar a minha mão.

Ficamos assim, de mãos dadas durante todo o tempo de visita. Aproveitei seus momentos de consciência e conversei com ela. Disse que sempre estive aqui, que sempre me lembrava dela, mas que não tinha condições psicológicas e emocionais para visitá-la, que vários motivos me impediam, mas não disse quais.

Chorei junto a ela, eu pressentia seu pouco tempo de vida. Depois que falei tudo isso e que disse que a amava ela fechou os olhos e achei que estava dormindo, mas não.

Minha mãe parecia não me querer ver mais. No domingo à tarde, após a sua transferência para a Casa de Saúde, fui vê-la novamente. Seu quadro havia piorado. As visitas durante a tarde foram muitas, e, mesmo ficando ao seu lado e acarinhando sua cabeça e face, nenhum momento foi só nosso, e novamente ela fechava os olhos quando eu a fitava.

Alguma coisa ela quis dizer com isso. Seu olhar era um pedido de socorro. Como se quisesse dizer: "Por favor, me tirem daqui. Não me deixem morrer. Eu quero viver. Eu quero ter saúde". Esse foi o meu entender daquele olhar, agora meio paralisado também. Sua fala também não existia mais, só um balbuciar que não conseguia entender.

Durante a semana fiquei gripada e não quis ficar com ela para não piorar o seu quadro. Ledo engano meu, a coisa era mais grave do que me parecia. Na sexta-feira minha irmã me falou que já havia paralisado o lado direito e seu olhar estava fixo em um só ponto.

No sábado pela manhã, quando já me preparava para ir para o hospital, pois tinha a sensação que ela não sobreviveria ao final de semana, minha irmã (Aurea) me telefonou dizendo: "Nossa mãe está com infecção generalizada". O médico já havia dado o veredito, não havia mais esperança para ela. Não havia mais o que fazer em prol de sua cura.

Fui para o hospital o mais rápido que pude, fiquei lá toda a tarde e nunca vi um sofrimento maior. Foi horrível, ela sofria muito para respirar, sua pupila já estava bem dilatada, a febre era intensa, não tinha mais pulso, nem pressão arterial, mas seu coração ainda batia, mesmo fraquinho, mas batia. Seus membros inferiores já estavam necrosando, eram gelados e muito avermelhados.

No meio da tarde a enfermeira chefe veio até o quarto e, enquanto eu chorava, ela pegou a minha mão e tentou me consolar. Mas era muito difícil ver o sofrimento da minha mãe e a sua luta para sobreviver. Sim ela lutava contra a morte. Ela nunca quis morrer, como qualquer ser humano luta sempre para viver, ela não era diferente. Era apegada demais à vida.

Quando chegou a tardinha, lá pelas 18:30, meu marido me buscou no hospital para que eu viesse em casa tomar um banho e fazer um lanche, pois não havia almoçado. Não tinha chegado em casa ainda, quando me ligaram dizendo que ela havia falecido.

Eu não consegui chorar. Estava aliviada por seu sofrimento ter terminado. Eu chorei sim, mas foi à tarde, presenciando toda a sua luta, todo o seu sofrimento. Eu nunca quis ver o que eu presenciei naquele dia. Eu não queria ter visto, mas serviu para me consolar e me confortar em relação a sua morte.

A morte veio para apaziguar o seu sofrimento. Ela partiu. Velamos seu corpo durante toda a noite e no domingo à tarde, às 15hs a enterramos. Conforto-me, porque ela parou de sofrer. Ela "descansou", não sei se em paz, mas descansou.


quinta-feira, 30 de abril de 2009

Egoísmo e caridade

Não é de minha autoria, mas vale a pena, porque retrata muito do que fizemos e do que fazem para nós.
Havia uma garota cega que se odiava pelo fato de ser cega!!! Ela também odiava a todos exceto seu namorado!!! Um dia ela disse que se pudesse ver o mundo, ela se casaria com o seu namorado. Em um dia de sorte, alguém doou um par de olhos à ela!!! Então o seu namorado perguntou a ela: Agora que você consegue ver o mundo , você se casa comigo??? A garota estava chocada quando ela viu que seu namorado era cego!!! Ela disse: Eu sinto muito, mas não posso me casar com você porque você é cego!!! O namorado afastando-se dela em lágrimas disse: Por favor, apenas cuide bem dos meus olhos, eles eram muito importantes para mim...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Também deixo minha homenagem

São duas semanas que o "Chefe" da Faninha partiu. Até agora choro, não porque o conhecia pessoalmente, mas por vivenciar o sofrimento e a saudade de toda a sua turma de amigos, de ler os post nos blogs do pessoal do Diário e de outros também. Que amor e amizade bonitos uniam essas pessoas e que todos o homenagearam com os dizeres "menino de alma leve voando sobre o pelego".
Sempre amei esta música, desde o ano em que ela ganhou seu prêmio num festival de música nativista no Rio Grande do Sul. Mas foi no perfil do Ceratti no Orkut que li na íntegra a sua letra e que parecia ser sua despedida desta vida, mesmo sem ele saber.

Fica aqui minha homenagem a ele através da música Veterano cantada por Leopoldo Rassier e pelos Serranos.
http://www.youtube.com/watch?v=6C4pW03l4e0

domingo, 12 de abril de 2009

Para minha filhinha querida


Meu amor maior

Queria poder tirar toda essa dor de ti, do teu coração lindo, ter o poder de enxugar tuas lágrimas e de te dizer que o mundo não é tão feio e doído, mas não posso.

Temos que aprender a conviver com as perdas, e elas são muitas no nosso caminho aqui na terra. Perdemos familiares, perdemos amigos e esses quando são amigos no sentido literal da palavra é mais dolorido ainda, porque são nossos parceiros de jornada, são referências para nosso viver no dia a dia.

Quando quem parte é ainda jovem como tu és, é mais difícil aceitar, entender, conviver com essa partida. Aliás, a morte é sempre inaceitável, entendida e praticamente impossível de conviver com ela. Mas a vida segue. Não aceitamos, mas aprendemos a sobreviver com a dor e a saudade, essa sendo uma constante em todos os momentos e lugares por onde tu ainda passarás e lembrarás do teu querido amigo, que também choro por ele e compartilho tua dor.

Eu sei o que é perder então te compreendo meu amor, mas como queria não te ver sofrer assim. Todo o teu choro de hoje à tarde me deixou mais abalada emocionalmente, mas eu queria que fosse transferida para mim toda a tua dor e que tu não sentisse o que ora tu sentes.

Viva minha filha, sabendo que poderás sempre contar com a companhia dos amigos que tens, que te são fiéis, que te amam mesmo. E que na tua casa de referência sempre terás o meu amor, o meu carinho e a minha companhia.

Te amo muito.